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30 de dez de 2011

2011 - Um ano que entrou para a história

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No réveillon, tão tradicional quanto pular sete ondas, jogar rosas ao mar ou vestir-se de branco é relembrar fatos marcantes do ano que se vai. Para historiadores, no caso, é como parte do trabalho selecionar os fatos que já entraram para a História – missão cumprida pela equipe da Revista de História da Biblioteca Nacional.

Primeiro ano marcado por faxina Primeiro ano marcado por faxina


O primeiro ano de mandato da primeira presidenta do Brasil não ficaria de fora – incluindo, principalmente, os sete ministros demitidos na faxina que já dura 12 meses e promete continuar em 2012. O pesquisador Rodrigo Elias vê um saldo positivo, sem perder de vista o pessimismo (ou realismo) que as recorrentes denúncias de corrupção fazem questão de alimentar. Para os historiadores, o ano que vem já se anuncia com grande expectativa diante da Comissão da Verdade, enfim sancionada pela ex-guerrilheira. Sem falar da construção da usina de Belo Monte, como lembra a pesquisadora iconográfica da RHBN, Agnes Alencar.
“As discussões sobre a construção de Belo Monte movimentaram internautas, acadêmicos, grupos indígenas e artistas diversos.  O projeto, que já existe há mais de uma década, voltou às pautas de discussões com uma força inesperada e com as posições divergentes que eram de costume. Fotos antigas circularam na internet descoladas de seus contextos, vídeos novos pipocaram em redes sociais diversas inquirindo a população para agir e se posicionar contra a construção. Diante desta polêmica, que não é recente, talvez estejamos longe de um desfecho absoluto”.


O ano de 2011 consta na lápide de dois grandes nomes da política nacional: o ex-presidente Itamar Franco, morto em 2 julho, aos 81 anos, vítima de leucemia; e o ex-vice-presidente José Alencar, vítima de câncer em 29 de março após sucessivos embates que fixaram um exemplo de coragem e perseverança na memória nacional.
É o que lembra nosso pesquisador Gefferson Ramos, sem se esquecer de nomes que marcaram a historiografia como Max Justo Guedes, Maria Yedda Linhares e tantos outros que se foram junto com 2011. Sem contar ícones desta geração, como a cantora Amy Winehouse, vítima de uma “overdose de saúde” após parar com as drogas, e o empresário Steve Jobs, o “midas digital” que ajudou a revolucionar a comunicação da segunda década do século XXI e deixou a vida com status de ídolo pop. Além de outros que não queremos lembrar, como Osama bin Laden e Wellington Oliveira, o lunático autor do massacre na escola de Realengo, no Rio de Janeiro.

Neste ano, egípcios foram às ruas como nunca antes na História daquele país Neste ano, egípcios foram às ruas como nunca antes na História daquele país


Este ano também será muito revisitado no futuro para os estudiosos do Oriente Médio, como lembra o pesquisador Alexandre Belmonte. Egito, Líbia e Tunísia foram alguns dos países sacudidos pela fúria badalada via internet, derrubando gerações de ditadores. Só isso bastaria para o inusitado marcar presença, não fosse o gostinho de 2011 por nos surpreender ao ponto de a Liga Árabe, historicamente composta por ditadores, se posicionar contra os... ditadores.
A volta dos protestos
Por essas e outras, muita gente achou que este ano o mundo virou do avesso – até terem certeza disso ao verem jovens dos Estados Unidos, berço do capitalismo, protestando contra o... capitalismo. O movimento Occupy Wall Street ganhou as páginas de jornais e de sites de todo o mundo com jovens ocupando praças e pedindo um genérico “mundo melhor”. Os “indignados”, como são chamados, passaram a ocupar praças em vários países enquanto se ocupam em definir o que, afinal, estão reivindicando.
Passeatas, cartazes e palavras de ordem deram lugar a dancinhas, instalações e outros movimentos artísticos – como conta o pesquisador Bruno Garcia na série “Cólera & Melancolia”, publicada quinzenalmente na RHBN Online.
Questões que, como tantas outras, prometem continuar no capítulo 2012 – seja lá o que a História nos reserva...



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