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19 de mar de 2012

Os chineses chegaram a América antes de Colombo?

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O livro de Gavin Menzies, 1421, levanta uma hipótese intrigante sobre quem descobriu as Américas - e virou motivo de escárnio dos acadêmicos. 






O tema é polêmico. E surpreendente. Várias teorias polêmicas sobre as Américas pré colombo se multiplicaram, entre elas a vinda de Fenícios ao Brasil, a ida de um monge irlandês a América e a chegada de Vikings à América do Norte no século X. Este não é diferente. O livro 1421 - o ano em que a china descobriu o mundo trouxe mais uma dessas polêmicas à tona. O autor Gavin Menzies, historiador britânico, balança o mundo dos historiadores ao afirmar que os chineses chegaram em 1421 na América, antes de Colombo, que o fez em 1492.




Em seu livro, "1421: O ano em que a China descobriu o mundo", o historiador amador britânico Gavin Menzies chama a atenção para a história da descoberta da América pelos europeus com uma idéia surpreendente: navegadores chineses teriam descoberto a América 70 anos antes de Cristóvão Colombo. O livro gerou controvérsias entre os acadêmicos. Do mesmo modo, antropólogos, arqueólogos, historiadores e lingüistas desmascararam muitas das evidências que Menzies utilizou para embasar sua idéia, que passou a ser chamada de teoria 1421.
De onde, porém, Menzies tirou a idéia de que os asiáticos, e não os europeus, chegaram primeiro à América? Há tempos os acadêmicos afirmam que os asiáticos foram os primeiros a pisar na América do Norte, mas não do modo como Menzies descreve. Há cerca de 10 mil anos, acreditava-se que o povo originário da Ásia tinha cruzado o Estreito de Bering sobre uma ponte, partindo da Sibéria para o atual Alasca. Desde então, crê-se que se espalharam ao longo dos milênios, diferenciando-se geneticamente e povoando as Américas do Norte e do Sul.
A teoria de Menzies, no entanto, credita muito mais influências diretas à China. Em vez da civilização se desenvolver separadamente nas Américas e na Ásia, de acordo com a teoria 1421, a China estava diretamente envolvida no governo e no comércio com o povo nas Américas, com o qual compartilhava sua ancestralidade.
Que evidências sustentam a teoria de Menzies? Menzies está convencido de que basta dar uma olhada em alguns mapaspara perceber.
Trinta anos antes de Gavin Menzies publicar seu livro, o missionário batista dr. Hendon M. Harris examinou raridades em uma loja em Taiwan. Foi lá que ele fez uma descoberta surpreendente: um mapa, aparentemente antigo, escrito em chinês clássico e que representava o que, para Harris, era claramente a América do Norte. Era um mapa de Fu-Sang, a lendária terra das fábulas chinesas.
Fu-Sang é, para os chineses, o que Atlântida é para o Ocidente - uma terra mítica que muitos acreditam não ter existido, mas com evidências bastante perturbadoras (e obscuras) para manter a popularidade de tal hipótese. O mapa descoberto pelo missionário - que ficou conhecido como o mapa de Harris - mostrava que Fu-Sang se localizava exatamente onde é a América do Norte. Ainda mais surpreendentes são as características apresentadas no mapa de Fu-Sang, bastante semelhantes às anomalias geográficas exclusivas da América do Norte, como o Grand Canyon.
Como se o mapa de Harris não fosse sugestivo o suficiente, outros mapas surgiram. É um mapa específico que Menzies aponta como prova definitiva de que os chineses já haviam explorado o mundo muito antes de os europeus pensarem em velejar na era das expedições. Esse mapa, conhecido como mapa de 1418 - também lembrado por causa da data em que foi supostamente publicado - claramente mostra todos os oceanos, assim como os sete continentes, em tamanhos e localizações corretas. Ainda mais impressionante é a exata representação, no mapa, de características da América do Norte, incluindo o rio Potomac, localizado no nordeste dos Estados Unidos de hoje.
Menzies não só acredita que os chineses já haviam explorado o mundo antes de Colombo e outros exploradores europeus mas também que era com os mapas chineses que os europeus conseguiam navegar ao redor do mundo. Munido com o mapa e sua evidência náutica, Menzies salienta muitos outros artefatos que indicam que os chineses ocuparam as Américas antes de Colombo. Leia a seção seguinte para descobrir o que sustenta a teoria de Menzies.

Evidências físicas da Teoria 1421

Durante a Dinastia Ming, um grande capitão chamado Zhang He (assim como outros grandes capitães) saiu da China para velejar, explorando o mundo. Sob o comando do Imperador Zhu Di, He e a frota chinesa (composta de 28 mil homens) seguiram caminho da Ásia para o Oriente Médio e África, conseqüentemente chegando à Indonésia. Será, então, que a frota continuou seguindo para o Ocidente até chegar às Américas?



Um turista visita uma réplica de um barco de junco da China Medieval durante a comemoração do 600º aniversário das famosas viagens de Zhang He.
Peter Parks/AFP/Getty Images
Um turista visita uma réplica de um barco de junco da China medieval durante a comemoração do 600º aniversário das famosas viagens de Zhang He
Talvez a possibilidade mais lógica seja a de que a frota voltou à China e, então, saiu novamente, dessa vez navegando para o leste e cruzando o Pacífico, até chegar à costa oeste da América do Norte. De qualquer modo, Menzies afirma que a evidência da chegada dos chineses está espalhada através da tradição, dos costumes e da arte das tribos nativo-americanas. E ele não está sozinho. "1421" criou um movimento entre seus leitores, gerando uma corrida de indicações adicionais de evidências da presença dos chineses nas Américas antes que os europeus tivessem ao menos pisado nesses continentes. Para Menzies e os leitores que o apóiam, basta simplesmente observar a rica cultura de tapeçaria dos povos das Américas para encontrar ali uma evidência da influência chinesa.
Antes da chegada dos europeus, não havia um único cavalo perambulando sobre as terras da América do Norte ou do Sul. Essa é a idéia que os historiadores sustentam - o cavalo não é nativo das Américas e não existia até que os europeus o trouxessem. Assim, a espécie conquistou seu espaço no novo mundo. Peças de arte pré-colombianas, porém, representando cavalos, encontradas na Cofins Cave, no Brasil, e em Trujillo, no Peru, contradizem isso. Em uma dessas peças, supostamente havia cavaleiros chineses no lombo de cavalos. Os chineses foram cavaleiros experientes durante séculos, se não por milênios, antes da era de exploração européia, e seria natural que, no caso de uma expedição nas Américas, trouxessem consigo seus preciosos cavalos.
As lendas e o folclore indígenas também são repletos daquilo que Menzies acredita serem histórias sobre encontros entre tribos nativas e exploradores chineses. Os líderes da tribo inca - uma enorme e poderosa tribo das montanhas, localizada na Cordilheira dos Andes, na América do Sul - foram governados por comandantes chineses, de acordo com Menzies. O líder Montezuma, rei soberano do império asteca no México, confundiu o conquistador Cortés com seu avô, que retornava de seu lar no Oriente, acredita Menzies. Os índios cherokees, do sudeste dos Estados Unidos, possuem uma doutrina que fala sobre sua aceitação e combate com viajantes chineses vindos do mar.
O que é, porém, evidência física? Caso os chineses tivessem chegado às Américas - e não tivessem comercializado nem tivessem sido governados pelo povo que encontraram lá - as evidências diretas de sua presença não teriam permanecido? Menzies e os seguidores da teoria 1421 dizem que sim. No noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos de hoje, investigações em oito sítios diferentes encontraram moedas chinesas. Uma peça de vestuário da tribo Nez Perce, do atual Idaho, datada de mais de 300 anos, possui ornamentos tecidos que se acredita que sejam contas chinesas. E nas Chaves da Flórida, afastado da costa do Big Sur, Califórnia, artefatos de jade chineses pré-colombianos foram desenterrados do leito de um rio e do fundo do mar.
Apesar dessa evidência, porém, historiadores não têm pressa em reescrever os livros de história. Descubra por que alguns consideram questionável a teoria 1421 de Menzies.

A teoria 1421: história sensacionalista?

Desde seu lançamento, em 2003, a teoria 1421 de Gavin Menzies tem sofrido diversos ataques. O texto que procura invalidar a teoria de Menzies é, pelo menos, tão abrangente quanto seu livro. Uma pergunta, talvez, permanece quando nos aproximamos da teoria 1421: se os chineses estiveram nas Américas antes de Colombo, por que sua marca não permaneceu indelével na superfície da civilização americana?
Os noruegueses, que navegaram para tão longe, chegando à parte ocidental de Terra Nova em suas viagens pelo Atlântico, deixaram vestígios de sua passagem pela América do Norte. Seu folclore inclui relatos dos encontros dos vikings com os nativos americanos. Os fragmentos da pedra do posto avançado que eles construíram durante sua passagem ainda podem ser vistos. Isso foi há mil anos, 500 anos antes da viagem de Colombo. Mesmo a breve permanência dos vikings na América do Norte ainda é evidente. Se os chineses tiveram tal impacto nas sociedades das Américas somente 70 anos antes da chegada de Colombo, por que não há evidências de sua presença em lugar nenhum?



Em L'Anse aux Meadows, na Terra Nova, Canadá, em 1961, foi encontrado um povoado viking que foi totalmente reconstruído em seu estado original.
David McLain/Aurora/Getty Images
Em L'Anse aux Meadows, na Terra Nova, Canadá, em 1961, foi encontrado um povoado viking que foi totalmente reconstruído em seu estado original
Além disso, há uma falha na polinização cultural entre o Novo Mundo e a China. Quando os europeus chegaram às Américas, eles trouxeram itens que jamais haviam sido vistos no continente, como o aço e cavalos. Mais importante que isso, contudo, levaram consigo tesouros exóticos do novo mundo. Milho e tomates, juntamente com enormes quantidades de ouro saqueado, seguiram caminho para a Europa em embarcações de exploradores. Onde estão o ouro inca ou o trigo dos astecas na China?
Talvez a evidência mais criticada seja o próprio mapa de 1408. O dr. Geoff Wade, historiador da Universidade Nacional de Cingapura (em inglês), vem incansavelmente escrevendo artigos em um esforço para desmascarar Gavin Menzies e a teoria 1421, chegando ao ponto de fazer uma queixa no Reino Unido (em inglês) contra os editores que fizeram, com o marketing, que o livro parecesse história.
Wade aponta diversas falhas no mapa de 1408 que sugerem uma falsificação e a maior delas é a de que o mapa representa o mundo, baseado na idéia de que ele é uma esfera. Essa idéia era desconhecida na Dinastia Ming. Ele também aponta que a China é mal representada no mapa e questiona o motivo de ter sido desenhada tão toscamente, já que os chineses criaram o mapa.
Wade acredita que o mapa foi desenhado no século 21, possivelmente para sustentar a teoria 1421 de Menzies. Ele também crê que tal mapa foi baseado nos antigos mapas criados pelos missionários jesuítas no século 17. E ainda aponta que a Califórnia é representada como uma ilha e que a China está localizada no centro do mapa, ambos exemplos da cartografia jesuíta. Também afirma que alguns dos textos foram claramente traduzidos para o chinês de tais mapas jesuítas antigos.
Se o mapa é falso, então toda a teoria 1421 cai por terra. Não existe, porém, nenhuma outra maneira de determinar se os chineses realmente viajaram para as Américas? Por que não perguntar? Esse é o ponto em que a história dá uma reviravolta e mantém o status de discussão no futuro da teoria 1421. Após a invasão, comandantes manchu assumiram o governo da China, em seguida à Dinastia Ming (estabelecendo a Dinastia Qing). Os forasteiros tiveram bastante trabalho para varrer os vestígios do antigo governo. Isso inclui todos os relatos das grandes viagens das frotas. Com esses documentos queimados, qualquer evidência, contraditória ou não, da presença chinesa nas Américas foi perdida para sempre.



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