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22 de abr de 2012

A história de Viamão, antiga capital do Rio Grande do Sul

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No Rio Grande do Sul, vários municípios foram muito importantes para a história do Estado. Um deles, que hoje acaba sendo esquecido, é Viamão. Ex-capital gaúcha e de extensão territorial maior que Porto Alegre, Viamão já ocupou o papel principal na história gaúcha. Poucos conhecem a história do município, que foi capital gaúcha durante o período colonial lusitano e já abrigou até os rebeldes farroupilhas na sua Igreja, que é a segunda igreja mais antiga do estado e hoje, onde está localizada, é o Centro Histórico viamonense.


Conheça agora um pouco mais sobre este município gaúcho!


As origens de Viamão estão diretamente ligadas à disputa do território existente entre Laguna e a Colônia do Sacramento por portugueses e espanhóis. Esse território, caminho das vacarias e do contrabando de mulas entre Potosi e Sorocaba, era conhecido então como "Campos de Viamão", futura província de São Pedro do Rio Grande do Sul.


Em 1763, quando os espanhóis invadiram Rio Grande, tomando o forte Jesus-Maria-José, a sede do Governo Geral da Província foi transferida para Viamão, onde permaneceu até 1773. A Vila se transformou no limite extremo do Império Luso-Brasileiro.

Quase cem anos depois, Viamão foi novamente palco de outro importante acontecimento da história gaúcha: a Revolução Farroupilha. Em junho de 1836, Bento Gonçalves da Silva e suas tropas montaram acampamento, construíram trincheiras e improvisaram fortificações entre a área central do município e a Vila de Itapuã. Decorrência disto e do famoso cerco a Porto Alegre, Viamão foi elevada pelos farrapos à condição de "Vila Setembrina".

Em 1880, tornou-se município independente de Porto Alegre.

Construção de capela deu início ao povoamento Viamão, capital do Rio Grande do Sul quando os espanhóis invadiram a cidade de Rio Grande, por onde começou a colonização portuguesa do estado, surgiu em 1741.

Considera-se como marco do surgimento da cidade a autorização para a construção de uma capela destinada ao culto de Nossa Senhora da Conceição, concedida em 14 de setembro de 1741.

Essa capela, porém, não é a atual Igreja Matriz, que foi construída em 1787.

A importância de Viamão não se limita aos tempos iniciais da colonização do estado, quando Porto Alegre ainda não existia como cidade. Era apenas o seu porto. Aliás, quando os casais açorianos que deram início à atual capital chegaram à região, instalaram-se inicialmente em Viamão, em seu distrito de Itapuã.

Durante a Revolução Farroupilha, Viamão foi uma das áreas mais disputadas e onde, portanto, ocorreram confrontos violentos. Dessa época resta parte de uma fortaleza no atual Parque Estadual de Itapuã, e algumas centenas de metros de trincheiras nessa área e na chamada Lomba da Tarumã, um grande bairro da cidade.

Como Viamão se tornou capital

Em 1763, na sequência constante de conflitos que envolviam portugueses e espanhóis pela posse da Colônia de Sacramento, tropas castelhanas invadiram o Rio Grande, comandadas por D. Pedro Ceballos. Essas tropas ocuparam a cidade de Rio Grande, onde estava a sede do governo civil e militar da Província. Nessa época, o Rio Grande não estava ainda dividido em municípios - o que só iria acontecer no início do século XIX.

Diante da invasão, o governo foi transferido para Viamão, onde permaneceu até 1773, quando o então governador José Marcelino de Figueiredo mudou a capital para Porto Alegre - que, anteriormente, era o porto utilizado por Viamão e conhecido não como Porto Alegre, mas como Porto de Viamão.

Esse período foi, provavelmente, o mais rico da história da cidade. No entanto, é muito pouco conhecido. Não se sabe exatamente quantas pessoas fugiram de Rio Grande para Viamão e muito menos como era a vida na cidade naquela época.

Ao deixar de ser capital, Viamão perdeu, progressivamente, sua importância. Tanto que, em 1809, quando o Rio Grande foi dividido em quatro municípios (Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio da Patrulha), Viamão ficou pertencendo ao município de Porto Alegre.

Nessa época não se podia nem ad ivinhar a ameaça que iria representar, na década de 30 do século passado, para a própria Porto Alegre.

Quando começou a Revolução Farroupilha, em 1835, logo os rebeldes perceberam a importância estratégica de Viamão. Próxima de Porto Alegre, era o local ideal para sitiar a capital.

Além disto, a partir de sua base em Itapuã, os farrapos podiam impedir as comunicações entre a capital e a cidade de Rio Grande pela Lagoa dos Patos.

Diante dessas condições, foi em Viamão que Bento Gonçalves se instalou em 1836 para, em diversas oportunidades, cercar a capital, numa sucessão de intervenções repetidas até 1841.

Em reconhecimento pelo apoio que recebiam na cidade, os farrapos elevaram Viamão à condição de vila. Isto aconteceu em 1838, quando a cidade foi rebatizada como Vila Setembrina (em homenagem à data de início da Revolução - 20 de setembro). Ela formava, juntamente com Triunfo, a Comarca Abrilina, e manteve-se como vila até 1841, quando, após a expulsão definitiva dos farrapos, voltou à sua condição anterior.

História da Igreja Matriz
A Igreja Matriz de Viamão é o principal marco da cidade. Mas seu atual prédio é o terceiro das igrejas matrizes da cidade, embora muito antigo.

A primeira igreja - ainda capela - foi construída graças a um gesto religioso de um estancieiro, Francisco Carvalho da Cunha, proprietário da fazenda Estância Grande dos Campos de Viamão. Em 1741 ele doou terras e animais para que fosse erigida uma capela em honra a Nossa Senhora da Conceição de Viamão.

Mas se acredita que esse primeiro templo só foi concluído em 1746. A sua provisão episcopal, que o erigia em capela, data, por sua vez, de 14 de setembro de 1741. Assim, a data que atualmente é considerada como a da fundação de Viamão é a da provisão episcopal e não a da doação das terras.

Essa igreja, entretanto, foi cedo substituída por outra. No ano de 1767 - portanto, no período em que Viamão foi capital do Rio Grande do Sul - foi decidido, pelo vigário, membros da Irmandade e o então Governador do Rio Grande, José Custódio de Sá Faria, que seria construída uma nova igreja, "em um lado da praça da parte do poente". Essa nova igreja teve sua obra concluída por volta de 1770. E, já naquela época, constituiu-se em um testemunho da precariedade das obras públicas brasileiras: malfeita, teve que ser reconstruída em 1787.

Como muitas outras construções da época, ela se destaca por ter paredes muito grossas, o que lhe garantiu o desempenho de outro papel: o de forte, durante a Revolução Farroupilha. Corre entre os habitantes de Viamão a lenda de que os farrapos teriam, durante a Revolução, ocupado a igreja. Ao saírem, teriam deixado, preso à porta, um bilhete, em que diziam: "os pobres não tem, os ricos não dão, os Santos pagarão".

Fonte: Rio Grande

Um comentário:

Macgiver Abreu Silveira disse...

Esse carro que aparece, é um Humber 11 Torpedo de 1914, de origem inglesa.